Postado por Dieter Kelber / Wed 15 Aug 2007
O perfil esperado dos novos executivos
Coluna: Opção Lidestor -
Quais os cenários que hoje determinam o perfil que se espera encontrar nas novas lideranças que conduzirão as empresas nos próximos anos ? Que impacto já pode hoje ser percebido nas exigências requeridas pelo mercado ? Será fácil encontrar executivos com este perfil cada vez mais abrangente ?
Gradativamente parece ser bem perceptível a qualquer um a atual velocidade e intensidade como as mudanças estão ocorrendo. Se no século XX os dois maiores fenômenos que influenciaram decisivamente a forma da gestão organizacional foram o invento do computador e a globalização, tudo parece indicar que o maior primeiro fenômeno do século XXI será a RSC, ou seja, a Responsabilidade Social Corporativa. Cada vez mais estamos sendo impactados pelos acontecimentos das três dimensões do Desenvolvimento Sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

Por mais que queiramos nos isolar dos acontecimentos que ocorrem nos quatro cantos do mundo, suas conseqüências são impossíveis de ignorar. Exemplo concreto recente, por exemplo, a reação em cadeia das bolsas de valores, mundialmente, após uma queda significativa na Ásia onde elas primeiro começam a operar e a fechar o seu pregão. Assim, não dá mais para tomarmos nossas decisões olhando apenas para o nosso umbigo. É preciso entender que mesmo agindo localmente precisamos pensar globalmente.
As empresas, mais uma vez por questão de sobrevivência, vêm conduzindo suas organizações no sentido de adaptar-se a esta realidade. O achatamento de suas estruturas, transformando sua forma de operar do vertical (gestão departamental ou funcional) para o horizontal (gestão de processos), com foco bem concentrado no cliente por toda a organização e um alinhamento bastante preciso dos níveis estratégicos, táticos e operacionais, fazem com elas tenham características nunca antes vistas: visão sistêmica e velocidade. Os grandes grupos compram e vendem empresas, fundem-se, dividem-se, aliam-se e tantas outras formas mais na busca da concretização de uma estratégia vencedora que vá permitir a sua sobrevivência.
Todos esses constantes movimentos acabam se refletindo de forma bastante significativa tanto no Capital Humano próprio, como nos demais stakeholders, ou seja, todos os interessados onde a empresa opera. Essas mudanças podem tanto beneficiar como prejudicar os envolvidos, e precisamos saber lidar com essas situações. É importante não esquecermos que as organizações só funcionam com regras, procedimentos e normas alinhadas com a sua missão, visão e valores. Entretanto, quando são confrontadas com um estado de caos (por exemplo a introdução de uma medida de governo que mude radicalmente o cenário do mercado), necessitam que o seu corpo diretivo tenha capacidade de achar soluções de sobrevivência para a empresa, mesmo tendo que, para isso, quebrar regras pré-estabelecidas.
Quando passamos a olhar esta atual fase do mundo empresarial, os dirigentes de sucesso e todas as vocações, características, competências e habilidades tradicionalmente listadas por muitos autores de forma antagônicas para os líderes e os gerentes respectivamente, concluímos que é chegada a hora de trocarmos o “OU” pelo “E”. As empresas precisam de líderes que sejam gerentes e de gerentes que sejam líderes. Ou seja, está na hora de termos “lidestores”. Pessoas que somem ao máximo possível, por exemplo, a criatividade de um líder com a eficiência de um gestor. Ou ainda, pessoas que saibam planejar como um gestor mas tenham a visão do todo como um líder.
Quais seriam então as características mais latentes dos “lidestores” ? Talvez a que desponta como uma das mais importante seja trabalhar com a cabeça e o coração, conforme os cenários forem exigindo trabalhos com mais ciência ou arte. A ética, o caráter, assumir e ter responsabilidade conforme as dimensões do conceito de desenvolvimento sustentável e ter estabilidade emocional, mesmo no caos, são fundamentais. Ouvir, orientar, dar “feedback”, delegar, corrigir, tomar decisões, motivar, trabalhar em e com equipes, dedicar-se para o sucesso do todo e de todos, desenvolver as pessoas e ter talento social surgem como mola propulsora advinda da liderança e gerência e voltada para um resultado global. Planejar, ter intuição, controlar, ter sensibilidade, cuidar dos detalhes, ter visão holística, cuidar dos processos, ter dedicação ao coletivo, aprender a aprender, aprender a aprimorar, aprender a re-aprender, aprender a recomeçar, aprender a ensinar, fomentar a melhoria contínua, desenvolver a percepção, cuidar dos clientes, gerir projetos e inovar são complementaridades que transformam líderes e gerentes em “lidestores”.
Neste mundo cada vez mais complexo, onde os desafios se avolumam e globalizam todos os dias, como já ressaltamos, não é mais possível pensar e agir de forma segmentada. É preciso somar conhecimentos, habilidades e motivações. É preciso usar todos os sentidos e todo o potencial do nosso cérebro. Quando olhamos ao nosso redor é fácil identificar pessoas que são claramente líderes e péssimos gestores. Assim, como podemos reconhecer os fantásticos tocadores de projetos, comandando centenas de pessoas, sem a mínima sensibilidade de liderança. Quem tiver tendências apenas para um dos lados precisa urgentemente buscar desenvolver o outro.

Quando analisamos esses fatos é fácil concluir que cada vez mais será necessário haver uma combinação equilibrada de liderança e gestão como competência fundamental dos profissionais que estão na direção e gerência de nossas organizações. Estes devem alinhar suas motivações internas com os desafios profissionais, pois cada vez mais serão obrigados a trabalhar com uma lógica cristalina concomitantemente com uma intuição poderosa. Os lídestores devem ainda usar a emoção para inspirar as pessoas a liberar energia e assim soltarem a sua motivação de dentro para fora. Cabe a eles serem os grandes estimuladores da motivação interna da equipe no ambiente de trabalho.
Um outro importante ponto a ser citado é a necessidade de que os lídestores sejam multiculturais, multidisciplinares e que consigam aplicar suas competências de forma interdisciplinar. Se, por um lado, desenvolver habilidades para liderar as equipes é indispensável para atingir o sucesso, aprimorar-se constantemente nas novas tecnologias é uma condição necessária para ter um bom suporte na gestão dos processos onde atuam os liderados. Grande desafio que as lideranças também terão pela frente é aprenderem a ensinar, pois se não conseguirem disseminar o seu conhecimento pela organização não terão tempo e nem condições para buscarem um novo aprendizado.
Finalmente, os lídestores precisam praticar a liderança colaborativa, ajudando não só as suas equipes, mas também os seus pares e todos os stakeholders que estejam de alguma forma contribuindo para a sustentabilidade da organização. A sobrevivência da empresa é no fim das contas a sobrevivência da grande maioria que lá trabalha ou depende dela.
Tomando como base essas necessidades e as pesquisas que fizemos ao longo dos últimos três anos, é possível afirmar que há hoje uma intensa busca por profissionais que alinhem as características de gestor com as de líder, ou seja, que entendam dos processos de negócios e tenham ao mesmo tempo competências e habilidades para liderar equipes. E você? Está preparado para ser um lídestor?
[5] Comentários para “O perfil esperado dos novos executivos”
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August 15th, 2007 - 10:45 am
Relendo esse artigo, me lembrei do penúltimo livro que eu li, \”Como se tornar um líder servidor – O monge e o executivo\” de James Hunter. Todo seu livro é bastante interessante, embora em alguns momentos bata uma vontade de perguntar \”por que?\” ou dizer \” eu não concordo com isso, baseado em que você diz isso? você se baseia nisso como em uma tartaruga da cultura oriental.
Citei esse livro, pois ele comenta muito sobre a diferença de um gerente para um líder e esse ótimo artigo serve para reafirmar tudo que eu li e acredito. Acredito que a liderança é bastante \”sedutora\” e tem que ser praticada a cada dia para se exercer com sucesso, mas a gestão é algo imprescindivelmente necessário para a saúde de uma organização. Feliz e competente é aquele que consegue alinhar suas características e experiências para se tornar um lidestor. Respondendo a última pergunta do artigo, estou me preparando.
August 15th, 2007 - 11:41 am
Para se atingir o equilíbrio é necessário trabalharmos tanto a racionalidade como a intuição simultâneamente. Não existe no mundo em que vivemos a possibilidade de se ter lideranças de sucesso sem concomitantemente haver uma gestão de sucesso. Cito sempre como exemplo o atual presidente do Brasil, que incontestavelmente é um líder de uma grande massa, mas é um péssimo gestor. Por outro lado temos o governador de São Paulo que é um excelente gestor, porém um péssimo líder.
Talves o de Minas Gerais esteja mais próximo de ser um lidestor. Quando olhamos hoje para dentro do mundo corporativo vamos ver que há muito poucos lidestores. Talvez seja essa a razão porque demora tanto passar-se de uma estrutura hierárquica vertical para uma organizção mais orgânica e horizontal.
August 24th, 2007 - 7:15 am
Talvez esteja aí a explicação da infelicidade detectada em mais de 80% dos executivos, sem falar em seus familiares, quando ainda fazem parte do mesmo grupo familiar.
September 1st, 2007 - 7:25 pm
Plínio,
Na realidade a infelicidade dos executivos, quando existe, é porque estão fazendo tarefas que não gostam. Ou seja, estão indo contra a sua personalidade. E isso acontece por diversos motivos, sendo o principal, na maioria das vezes a questão da $$$$. Também não podemos esquecer que com a dominuição dos postos de trabalhos disponíveis nem sempre achamos aquilo que gostamos de fazer, e de alguma maneira temos que sobreviver.
September 19th, 2008 - 9:56 am
Lider Gestor