Quais os cenários que hoje determinam o perfil que se espera encontrar nas novas lideranças que conduzirão as empresas nos próximos anos ? Que impacto já pode hoje ser percebido nas exigências requeridas pelo mercado ? Será fácil encontrar executivos com este perfil cada vez mais abrangente ?

Gradativamente parece ser bem perceptível a qualquer um a atual velocidade e intensidade como as mudanças estão ocorrendo. Se no século XX os dois maiores fenômenos que influenciaram decisivamente a forma da gestão organizacional foram o invento do computador e a globalização, tudo parece indicar que o maior primeiro fenômeno do século XXI será a RSC, ou seja, a Responsabilidade Social Corporativa. Cada vez mais estamos sendo impactados pelos acontecimentos das três dimensões do Desenvolvimento Sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

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Por mais que queiramos nos isolar dos acontecimentos que ocorrem nos quatro cantos do mundo, suas conseqüências são impossíveis de ignorar. Exemplo concreto recente, por exemplo, a reação em cadeia das bolsas de valores, mundialmente, após uma queda significativa na Ásia onde elas primeiro começam a operar e a fechar o seu pregão. Assim, não dá mais para tomarmos nossas decisões olhando apenas para o nosso umbigo. É preciso entender que mesmo agindo localmente precisamos pensar globalmente.

As empresas, mais uma vez por questão de sobrevivência, vêm conduzindo suas organizações no sentido de adaptar-se a esta realidade. O achatamento de suas estruturas, transformando sua forma de operar do vertical (gestão departamental ou funcional) para o horizontal (gestão de processos), com foco bem concentrado no cliente por toda a organização e um alinhamento bastante preciso dos níveis estratégicos, táticos e operacionais, fazem com elas tenham características nunca antes vistas: visão sistêmica e velocidade. Os grandes grupos compram e vendem empresas, fundem-se, dividem-se, aliam-se e tantas outras formas mais na busca da concretização de uma estratégia vencedora que vá permitir a sua sobrevivência.

Todos esses constantes movimentos acabam se refletindo de forma bastante significativa tanto no Capital Humano próprio, como nos demais stakeholders, ou seja, todos os interessados onde a empresa opera. Essas mudanças podem tanto beneficiar como prejudicar os envolvidos, e precisamos saber lidar com essas situações. É importante não esquecermos que as organizações só funcionam com regras, procedimentos e normas alinhadas com a sua missão, visão e valores. Entretanto, quando são confrontadas com um estado de caos (por exemplo a introdução de uma medida de governo que mude radicalmente o cenário do mercado), necessitam que o seu corpo diretivo tenha capacidade de achar soluções de sobrevivência para a empresa, mesmo tendo que, para isso, quebrar regras pré-estabelecidas.

Quando passamos a olhar esta atual fase do mundo empresarial, os dirigentes de sucesso e todas as vocações, características, competências e habilidades tradicionalmente listadas por muitos autores de forma antagônicas para os líderes e os gerentes respectivamente, concluímos que é chegada a hora de trocarmos o “OU” pelo “E”. As empresas precisam de líderes que sejam gerentes e de gerentes que sejam líderes. Ou seja, está na hora de termos “lidestores”. Pessoas que somem ao máximo possível, por exemplo, a criatividade de um líder com a eficiência de um gestor. Ou ainda, pessoas que saibam planejar como um gestor mas tenham a visão do todo como um líder.

Quais seriam então as características mais latentes dos “lidestores” ? Talvez a que desponta como uma das mais importante seja trabalhar com a cabeça e o coração, conforme os cenários forem exigindo trabalhos com mais ciência ou arte. A ética, o caráter, assumir e ter responsabilidade conforme as dimensões do conceito de desenvolvimento sustentável e ter estabilidade emocional, mesmo no caos, são fundamentais. Ouvir, orientar, dar “feedback”, delegar, corrigir, tomar decisões, motivar, trabalhar em e com equipes, dedicar-se para o sucesso do todo e de todos, desenvolver as pessoas e ter talento social surgem como mola propulsora advinda da liderança e gerência e voltada para um resultado global. Planejar, ter intuição, controlar, ter sensibilidade, cuidar dos detalhes, ter visão holística, cuidar dos processos, ter dedicação ao coletivo, aprender a aprender, aprender a aprimorar, aprender a re-aprender, aprender a recomeçar, aprender a ensinar, fomentar a melhoria contínua, desenvolver a percepção, cuidar dos clientes, gerir projetos e inovar são complementaridades que transformam líderes e gerentes em “lidestores”.

Neste mundo cada vez mais complexo, onde os desafios se avolumam e globalizam todos os dias, como já ressaltamos, não é mais possível pensar e agir de forma segmentada. É preciso somar conhecimentos, habilidades e motivações. É preciso usar todos os sentidos e todo o potencial do nosso cérebro. Quando olhamos ao nosso redor é fácil identificar pessoas que são claramente líderes e péssimos gestores. Assim, como podemos reconhecer os fantásticos tocadores de projetos, comandando centenas de pessoas, sem a mínima sensibilidade de liderança. Quem tiver tendências apenas para um dos lados precisa urgentemente buscar desenvolver o outro.

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Quando analisamos esses fatos é fácil concluir que cada vez mais será necessário haver uma combinação equilibrada de liderança e gestão como competência fundamental dos profissionais que estão na direção e gerência de nossas organizações. Estes devem alinhar suas motivações internas com os desafios profissionais, pois cada vez mais serão obrigados a trabalhar com uma lógica cristalina concomitantemente com uma intuição poderosa. Os lídestores devem ainda usar a emoção para inspirar as pessoas a liberar energia e assim soltarem a sua motivação de dentro para fora. Cabe a eles serem os grandes estimuladores da motivação interna da equipe no ambiente de trabalho.

Um outro importante ponto a ser citado é a necessidade de que os lídestores sejam multiculturais, multidisciplinares e que consigam aplicar suas competências de forma interdisciplinar. Se, por um lado, desenvolver habilidades para liderar as equipes é indispensável para atingir o sucesso, aprimorar-se constantemente nas novas tecnologias é uma condição necessária para ter um bom suporte na gestão dos processos onde atuam os liderados. Grande desafio que as lideranças também terão pela frente é aprenderem a ensinar, pois se não conseguirem disseminar o seu conhecimento pela organização não terão tempo e nem condições para buscarem um novo aprendizado.

Finalmente, os lídestores precisam praticar a liderança colaborativa, ajudando não só as suas equipes, mas também os seus pares e todos os stakeholders que estejam de alguma forma contribuindo para a sustentabilidade da organização. A sobrevivência da empresa é no fim das contas a sobrevivência da grande maioria que lá trabalha ou depende dela.

Tomando como base essas necessidades e as pesquisas que fizemos ao longo dos últimos três anos, é possível afirmar que há hoje uma intensa busca por profissionais que alinhem as características de gestor com as de líder, ou seja, que entendam dos processos de negócios e tenham ao mesmo tempo competências e habilidades para liderar equipes. E você? Está preparado para ser um lídestor?

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